A aeronave Arcanjo-02, usada para o transporte de pacientes com Covid-19 em Santa Catarina, precisou ser tirada de serviço para um período de manutenção. Responsável pelas transferências dos catarinenses que utilizaram leitos de UTI no Espírito Santo durante o mês passado, a aeronave do Corpo de Bombeiros e do Samu voou o triplo da média prevista.

O Batalhão de Operações Aéreas (BOA) do Corpo de Bombeiros comunicou a baixa do Arcanjo-02 para manutenção na última sexta-feira (16). A previsão de retorno da aeronave ao serviço, após um mês de manutenção, é na segunda semana de maio, conforme o aviso enviado à Secretaria de Estado da Saúde.

A pausa para manutenção da aeronave foi uma necessidade após um período de uso muito acima do normal. A média prevista de tempo de voo para o Arcanjo-02 em um mês é de 35 horas, mas apenas em 20 dias de março a aeronave voou pelo menos por 100 horas.

O número se explica pelas cinco transferências feitas de pacientes de Santa Catarina para o Espírito Santo, inclusive com viagens para repatriação dos que não resistiram e faleceram com Covid-19. A operação de transferência começou no dia 3 de março e seguiu até o dia 12 daquele mês, quando a taxa de ocupação das UTIs no estado capixaba superou 80% e impossibilitou a oferta de vagas para pacientes de outras regiões.

Considerada uma operação complexa pelo Corpo de Bombeiros, a transferência dos pacientes em estado grave com Covid-19 foi possível graças aos equipamentos do Arcanjo-02, preparado para esse tipo de atendimento.

Segundo o aviso enviado pelo Corpo de Bombeiros, ao qual a reportagem do DC teve acesso, houve atraso no processo licitatório para a manutenção do Arcanjo-02, portanto um contrato emergencial em dispensa de licitação foi feito para o serviço. Além de manutenções de rotina, determinadas inspeções obrigatórias para a aeronave também já estavam vencidas. A inspeção da hélice, por exemplo, deve ser feita a cada cinco anos e venceu na semana passada, no dia 13.

O Arcanjo-02 é um modelo Cessna 210 N Centurion, com capacidade para seis pessoas. Ele é utilizado em missões de transporte aeromédico, transporte de equipes médicas para captação e transporte de órgãos, monitoramento ambiental, transporte de tropa e de equipamentos da Força-Tarefa do bombeiros e apoio a Justiça Estadual e Federal. O avião foi cedido pelo Conselho Nacional de Justiça ao governo de SC em 2014 e, na época, tinha o valor de mercado calculado em cerca de R$ 800 mil.

Fonte: NSC

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