Uma demolição no centro de Blumenau (SC) trouxe à tona uma construção histórica que estava praticamente oculta há décadas: o Castelinho da Rua Namy Deeke, edificação erguida nos anos 1950 com inspiração nos castelos da Baviera, no sul da Alemanha, e que passou grande parte do tempo encoberta por árvores e pela antiga Casa Royal.

A descoberta aconteceu durante a demolição da Casa Royal, realizada em junho de 2025, quando as máquinas revelaram a estrutura de pedra no alto de uma colina discreta, próxima ao número 111 da Rua Namy Deeke, no coração do município.
Conhecido popularmente como Castelinho da Rua Namy Deeke, o imóvel foi construído por Antônio Euzébio Reinert e Stefânia Michels Reinert — carinhosamente chamados de Tonico e Fanny. O projeto arquitetônico leva assinatura de um arquiteto alemão e reproduz traços típicos das construções medievais da Baviera, incluindo torre de observação na parte mais alta da estrutura.
O castelinho ganhou notoriedade desde sua inauguração pelos detalhes construtivos: cinco quartos no pavimento superior, salas amplas e, para a época, algo considerado quase um exagero — três banheiros internos. A casa também se destacava pelas mais de 40 janelas no andar térreo, algumas com mais de dois metros de altura, e por suas seis portas de acesso principais, características que surpreenderam moradores e historiadores locais.
Ao longo das décadas, a construção acumulou histórias singulares. Ela serviu como cenário de cenas do filme “Férias no Sul” (1967), dirigido por Reynaldo Paes de Barros e estrelado por David Cardoso, um dos nomes marcantes do cinema brasileiro nas décadas seguintes. O castelinho também foi palco de visitas ilustres, como a do ex-presidente Jânio Quadros — que passou pela residência quando ainda era candidato à Presidência da República.
Em 1983, o imóvel passou a sediar o Banco Francês e Brasileiro, posteriormente incorporado pelo Banco Itaú. Ainda no final dos anos 1990, o espaço foi utilizado como base para a Mostra Bordeaux, embora nem todas as intervenções da época tenham respeitado a configuração arquitetônica original da casa.
Atualmente, o castelinho pertence à Ros Investimentos Imobiliários, que promoveu a reforma do imóvel e o transformou em sua sede própria. Com a retirada das construções que o ocultavam por tanto tempo, a edificação voltou a se destacar na paisagem urbana de Blumenau, despertando interesse renovado pela memória arquitetônica e cultural local.
Conclusão
O achado do Castelinho da Rua Namy Deeke durante a demolição da Casa Royal é mais do que uma simples curiosidade arquitetônica: ele representa uma janela para a história urbana de Blumenau, com traços culturais e registros de acontecimentos que atravessaram décadas, desde o cinema brasileiro até a visita de figuras políticas nacionais.
Fonte
Matéria original do portal ND Mais

