Encerrada a primeira semana do julgamento de Bolsonaro e de aliados do chamado núcleo crucial descrito na denúncia oferecida pela procuradoria-geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares de direita avaliam os dois primeiros dias de sessões no STF, com o fim do prazo para que as defesas dos réus se manifestassem como um teatro, ou um circo armado para acabar com o “maior líder da direita brasileira”.
Na opinião de alguns parlamentares de oposição, e aliados do ex-presidente, o julgamento não passa de um ‘circo armado para retirar Bolsonaro da vida política e enfraquecer a oposição”. O vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados, Ubiratan Sanderson (PL-RS), disse que o julgamento é um ataque à democracia.
“A bandidagem está em festa”, advertiu o parlamentar, citando que estes que comemoram o julgamento são os mesmos que “saquearam a nação e continuam soltos”. Na opinião do parlamentar gaúcho, o método usado para tentar calar o maior líder da direita atual no Brasil é no mínimo “asqueroso”. “Esse julgamento é uma farsa para tirar Bolsonaro do jogo político. Será que os ministros do STF têm consciência de que, ao aceitarem essa covardia, estarão lançando o país na mais absoluta desordem social?”, questionou.

Já o deputado Filipe Barros, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, disse ao ND Mais que Bolsonaro sofre perseguição política, e que não há dúvidas sobre o resultado do julgamento, de que Bolsonaro será condenado pelos ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal. A Turma é composta pelo relator da ação penal 2668, Alexandre de Moraes; pelo presidente Cristiano Zanin; e pelos ministros Cármen Lúcia; Flávio Dino e Luiz Fux.
Circo armado na Praça dos Três Poderes: espetáculo busca destruir a direita, afirma parlamentar
O Deputado Rodrigo Valadares (União-SE), que chegou a relatar um projeto de anistia para os presos do 8 de janeiro na Comissão de Constituição e Justiça, concorda com o colega Filipe Barros, e acredita que a ação penal contra Bolsonaro e ex-ministros de seu governo é um caso claro de perseguição política.
“Trata-se de um circo armado para destruir a direita no Brasil. Não há provas concretas contra Bolsonaro, apenas narrativas criadas para criminalizar quem pensa diferente do sistema. A democracia está sendo rasgada em praça pública. Não irão nos calar!”
Para o Capitão Alberto Neto (PL-AM), o julgamento de Bolsonaro também é uma espécie de “teatro institucional”. “O que estamos assistindo é um espetáculo para satisfazer a esquerda. O povo que lotava as ruas por Bolsonaro está sendo ignorado, e a vontade popular está sendo substituída pela de alguns membros do STF. Um absurdo”, completou o parlamentar.
Coronel Tadeu (PL-SP), que assumiu a vaga de Carla Zambelli, aliada de Bolsonaro e presa na Itália por invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é mais um parlamentar que acredita que ao julgar Bolsonaro, a justiça pretende “aniquilar o maior líder conservador do país. O objetivo é claro: impedir Bolsonaro de concorrer novamente. Mas se esquecem de que não conseguirão calar a força da direita. A cada ataque, Bolsonaro cresce ainda mais como símbolo de resistência”, afirmou o deputado.

Parlamentares de esquerda acompanham julgamento de perto, e acreditam em condenação de Bolsonaro
Enquanto os deputados próximos ao ex-presidente se dizem perseguidos e alegam inocência e a intenção da justiça de “calar Bolsonaro”, parlamentares de partidos de esquerda têm afirmado que esperam a condenação do ex-governante por tentativa de golpe de Estado; participação em organização criminosa armada; abolição violenta do Estado Democrático de Direito; dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Líderes de partidos da base aliada de Lula, como Lindbergh Farias, do Rio de Janeiro; e Rogério Corrêa, de Minas Gerais, foram acompanhar a sessão de julgamentos “ao vivo” na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, e se mostraram confiantes numa eventual condenação dos réus na ação penal 2668.

Jandira Feghali (PCdoB-RJ), e Orlando Silva (PCdoB-SP) também estiveram nas dependências do STF nos primeiros dias do julgamento de Jair Bolsonaro e aliados, e classificaram o momento como “histórico”.
Nos dois primeiros dias de julgamento, nesta semana, no entanto, apesar da defesa e alegação de inocência de Bolsonaro e aliados, parlamentares de direita não foram até o Supremo Tribunal Federal acompanhar o julgamento mais de perto.
Na próxima terça-feira (9) a sessão de julgamento de Bolsonaro e aliados será reiniciada com o voto do ministro relator, Alexandre de Moraes, e em seguida votam os demais ministros. Se condenados, os réus podem pegar até 43 anos de cadeia, pela combinação de penas.

