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Greve dos caminhoneiros deve iniciar nesta quinta (4): entenda o que está acontecendo no Brasil

Uma parte dos caminhoneiros está planejando uma greve em todo o país a partir desta quinta-feira (4). O movimento é liderado pela UBC (União Brasileira dos Caminhoneiros). No entanto, a maior parte da categoria não apoia a paralisação e teme que ela seja usada com fins políticos. Entidades que representam os transportadores autônomos dizem que não vão […]

Protesto de caminhoneiros em 2015, convocado pelo Comando Nacional do Transporte
Protesto de caminhoneiros em 2015, convocado pelo Comando Nacional do Transporte

Uma parte dos caminhoneiros está planejando uma greve em todo o país a partir desta quinta-feira (4). O movimento é liderado pela UBC (União Brasileira dos Caminhoneiros). No entanto, a maior parte da categoria não apoia a paralisação e teme que ela seja usada com fins políticos.

Entidades que representam os transportadores autônomos dizem que não vão aderir oficialmente à greve dos caminhoneiros (leia abaixo). Elas também citam que há um pano de fundo relacionado à anistia de pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro e afirmam que os caminhoneiros não querem ser usados como “massa de manobra”.

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o Distrito Federal e o Entorno amanheceram sem bloqueios, interdições, manifestações ou qualquer tipo de aglomeração nas rodovias federais até as 8h desta quinta. A dimensão real do movimento permanece incerta, diante das divergências entre entidades que representam os transportadores de cargas.

Conforme o InfoMoney, a UBC estima que cerca de 20% dos caminhoneiros devem participar da mobilização inicial.

“É um movimento nacional para os cerca de 1,2 milhão de caminhoneiros autônomos do país. Acreditamos que haverá grande adesão, mas cada pessoa é livre para decidir se quer participar. Fizemos todo o embasamento legal para que o movimento seja legítimo”, disse Francisco Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro, representante da UBC, ao Broadcast Agro nesta quarta-feira (3), enquanto passava pelos corredores da Câmara dos Deputados.

Oque os caminhoneiros estão pedindo

Na terça-feira (3), a União Brasileira dos Caminhoneiros protocolou um documento na Presidência da República detalhando os pedidos da categoria caso a greve dos caminhoneiros ocorra. Ao todo, a entidade apresenta 18 reivindicações. Entre os principais pontos estão:

  • a estabilidade contratual do caminhoneiro;
  • a reestruturação do Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Cargas;
  • atualização do piso mínimo do frete especialmente para veículos de nove eixos;
  • congelamento das dívidas de caminhoneiros autônomos pelo prazo de 12 meses;
  • aposentadoria especial após 25 anos de atividade;
  • isenção de pesagem entre eixos;
  • linha de crédito de até R$ 200 mil para caminhoneiros;
  • destinação de 30% das cargas de empresas estatais para caminhoneiros autônomos.

A categoria também pede medidas para regularizar a situação de motoristas autônomos que participaram de mobilizações anteriores. No documento, a UBC solicita uma resposta formal às reivindicações até quinta-feira, antes da possível greve nacional.

Suposta ligação da greve dos caminhoneiros com Bolsonaro

Conforme o InfoMoney, Chicão, representante da União Brasileira dos Caminhoneiros, negou qualquer relação da possível greve dos caminhoneiros com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro ou com a pauta de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

“A anistia que estava na petição era relacionada a processos que sofremos sanções em greves anteriores, como eu que ainda possuo contas bloqueadas”, relatou.

“Nós não podemos misturar as coisas, com movimento político. Estamos falando somente da questão de transporte”, afirmou Chicão, que participou da paralisação nacional de maio de 2018, que motivou a criação da tabela do frete na gestão do então presidente Michel Temer.

Abrava e CNTTL: entidades da categoria se afastam

Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores) e a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) afirmam que não há indicativo de greve dos caminhoneiros neste momento.

Wallace Landim, presidente da Abrava, conhecido como Chorão, reforça que os caminhoneiros não lideram manifestações com fins políticos ou partidários.

“A pauta da anistia será chamada em meio a essa mobilização. Não é justo levantarmos uma pauta dessa, porque é uma pauta política, de fato”, disse Chorão à reportagem.

“Existe de fato um movimento velado para induzir transportador a parar o País por outra pauta, trazer os caminhoneiros a entrar na manifestação e depois ampliar a pauta para tom político. Não apoiamos isso e orientamos que os caminhoneiros não adiram para não serem prejudicados”, relatou Chorão.

O diretor da CNTTL, Carlos Litti, afirmou que a confederação não apoiará greve dos caminhoneiros com viés político. “Não apoiaremos, pois se trata de uma pauta política por anistia. Há pautas setoriais justas apresentadas, mas no meio um pedido de anistia para crimes cometidos nos últimos dez anos, o que é um absurdo”, afirmou Litti.

Santa Catarina, no ‘reduto bolsonarista’, chances são baixas de adesão

O presidente da Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Carga, Janderson Maçaneiro, afirmou nesta terça-feira (2) que a a possível greve dos caminhoneiros não cumpriu o procedimento adequado juntos às representações e, por isso, poderá ser considerada ilegal.

“Os sindicatos fazem assembleias, as assembleias constroem pautas, as pautas constituem atas e as atas vão para federação estadual, e a federação encaminha para a confederação nacional, que aí protocola uma greve nacional. Isso não aconteceu”, explicou, em vídeo, Maçaneiro, conhecido no meio como “Patrola”.

A Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina) afirmou ao ND Mais que “respeita o direito constitucional à liberdade de expressão e à livre manifestação”, mas pontuou que a uma possível greve dos caminhoneiros não seria positiva neste momento.

Nos bastidores, conforme apuração da repórter Vivian Leal, do ND Mais, os indicativos de paralisação dos trabalhadores em Santa Catarina são mínimos, uma vez que a maior parte dos contratados por empresas catarinenses possui vínculo empregatício e a mobilização é liderada por autônomos.

Movimentos regionais e histórico político

As entidades reconhecem, porém, que líderes mais radicais podem organizar ações localizadas, dependendo das preferências políticas e partidárias de cada transportador autônomo.

A categoria teve grande apoio à eleição de Bolsonaro em 2018. Em julho deste ano, houve tentativa de mobilização “pró-Bolsonaro” durante o recesso parlamentar, mas a iniciativa não teve sucesso.

*Com informações de InfoMoney.

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