O governo de Santa Catarina anunciou um pacote de R$ 227 milhões para obras de limpeza e desassoreamento de rios em 48 municípios. As intervenções ocorrem em meio ao alerta para a influência do fenômeno El Niño, que costuma aumentar o volume de chuvas e o risco de alagamentos e está previsto para atingir o estado no segundo semestre de 2026.
Segundo a Defesa Civil estadual, os convênios firmados com as prefeituras e as obras executadas diretamente pelo Estado devem alcançar mais de 350 quilômetros de rios em diferentes regiões catarinenses. A maior parte das ações se concentra no Vale do Itajaí, uma das áreas mais atingidas historicamente por cheias.
Um dos municípios contemplados é Doutor Pedrinho, onde estão em andamento serviços de limpeza do Rio Benedito e do Rio Forcação. O investimento na cidade é de R$ 548 mil, com previsão de atuação em quase sete quilômetros de extensão. De acordo com o governo estadual, cerca de quatro quilômetros já passaram por intervenção.
As obras incluem retirada de sedimentos, galhos e materiais acumulados no leito dos rios, além de ações nas margens para reduzir processos de erosão. O objetivo é aumentar a capacidade de escoamento da água e diminuir os riscos de transbordamentos em períodos de chuva intensa.

Em 2024, o estado retomou intervenções em rios de cidades como Rio do Sul, Rio do Oeste, Mirim Doce e Presidente Getúlio, locais que, segundo a Defesa Civil, estavam há décadas sem obras desse tipo.
“Essas ações, somadas às construção de novas barragens e reformas das estruturas já existentes, ajudam a tornar Santa Catarina mais preparada e resiliente, especialmente diante de ocorrências associadas às chuvas intensas que podem ser potencializadas, neste ano, pelo El Niño”, afirmou o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Cel BM Fabiano de Souza.
Outros municípios, como Rio do Sul, Taió, Lontras e Rio do Oeste, ainda aguardam a conclusão de processos licitatórios para o início das intervenções.
No início do mês de maio, o meteorologista Piter Scheuer fez um alerta em suas redes sociais afirmando que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial está em níveis considerados extremamente anormais.
Ele afirmou que, ao longo de sua carreira, nunca observou um cenário com tamanho potencial energético, o que pode elevar o fenômeno à categoria de “super El Niño”.

Para Santa Catarina, o auge do fenômeno deve ser na primavera, entre setembro e dezembro. “Eventos como alagamentos, enchentes, enxurradas, desabamento de terra, queda de barreira vão permanecer mais frequentes”, destacou Scheuer ao ND Mais.
Além do desassoreamento, o governo de Santa Catarina também já afirmou que vai decretar estado de alerta climático para mitigar efeitos do “Super El Niño”. Segundo a Defesa Civil, a medida vai agilizar o acesso a recursos e reforçar a resposta dos municípios diante de cenários mais severos.

